Olá a todos os que me acompanham. Mais um capítulo da minha vida foi fechado, entrei num novo. E com ele, mudo também de blog.
Beijos, obrigado a todos os que me seguem 🙂

desetembroasetembro.wordpress.com

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Picture0096Desabrocha o dia e a manhã esfriece-me a cara. Quero voltar para dentro dos lençóis, quero enroscar-me em mim, porque em mais ninguém o posso fazer. Quero dobrar-me sobre o meu estômago e espalhar magia em mim. Quero deixar-me ir pelos sonhos. Quero que me deixem.

Atravesso a Baixa sem te olhar, sem me olhar. Atravessamo-nos um ao outro como que invisíveis. Damos as mãos em pensamento. Sou espezinhada, totalmente desfeita, humilhada por quem eu ignoro e por quem me tenta ignorar. Na realidade, vocês são dois. São duas pessoas diferentes. Mas com o mesmo objectivo.
Agora, sinto-me aparte. Aparte de mim. Também eu, para minha surpresa me desfaço em duas. Eu-mesma fico em terra. Eu-outra voo até ao teu-outro. Deixamo-nos envolver, falamos línguas distintas através da mesma língua e chamo-te meu. O meu-outro chama meu ao teu-outro.
Ai, que dói! Dói, caramba! Dói porque estamos os dois desfeitos. Estamos a ser mais que um. Transformo-me em grito e eu-mesma grito de dor. Aceno para que tu-mesmo me vejas mas é impossível. Só os nossos outros se querem encontrar. E eu já não aguento. Mas volto a adormecer.

Acordo, totalmente, sob a forma de Grito. Eu-mesma sou Grito. Já não há eu-outra. Sou só a carne que se transformou em espírito e quem tu não podes controlar. Sou só quem te quer mal, quem não te deseja. Porque os desejos secretos já desapareceram há muito tempo. Foram embora com o outro-eu.

Volto a sair de casa mas já ninguém me vê. Mas eu vejo-te. És o dono da minha transformação e és quem me tem, inutilmente. Quem tem parte da minha integridade. Porque eu sou completa. E odeio que me tenhas. Não és cara-metade nenhuma. Eu sou a minha metade. Melhor, sou o conjunto das minhas duas metades. E tu, tu não tens o direito de tirar parte de mim.
Sinto-me uma criança. Aquela a quem falta alguma coisa. Aquela a quem falta o brinquedo preferido. Sou assim. Preciso da minha metade, com o teu cheiro, dentro de mim.

De certeza que tens um sorriso escondido. De certeza. Não podes ser só negro.
Mas devolve-me a mim. Ou grito. E se grito, desapareço. Porque sou Grito. Eu-mesma: Grito.
Não me faças gritar. Porque se não, nunca mais poderei sentir o teu cheiro. Em mim.

Lamento nunca mais ter escrito nada. Sei que nenhuma desculpa serve. Mas se servir, aqui vai a minha: ocupada com o início das aulas e com toda esta andança das eleições.
A verdade é que fui escrevendo aqui e ali, nuns papeis mais ou menos rabiscados, em Moleskine ou em papel higiénico. Acho que nos estamos a perder, estamos a perder a essência da escrita com esta Internet. É verdade que escrevo mais rápido no computador, que posso escrever a computador sem borrar as unhas acabadas de pintar, que posso fazer várias coisas ao mesmo tempo que escrevo aqui. Mas nada me tira o prazer da sensação que é acordar a meio da noite, acender uma vela e depois um candeeiro (para nos irmos habituando à luz), rabiscar umas quantas frases com que se sonhou, apagar tudo e voltar a deixar-nos envolver pelos sonhos. No dia seguinte, acordarmos e lermos o que escrevemos e pensarmos: Bolas, isto está incrivelmente bom. Fui eu que escrevi?
Comparo esses assaltos de pensamentos a grandes e poderosas bebedeiras. Parece que fomos convidados a sair dos lençóis, guiados até à mesa, um sopro fez-nos escrever e depois, vomos, vampirescando, para a cama. E a Internet e a escrita aqui tira-nos o prazer que é escrever. E publicado, só fica isso mesmo. A escrita. O sentimento não está presente.

De maneira que não desejo a morte à Net. Mas quase.
Desmaie a Net! Desmaie! PIM!

Ele já não estava com ela. Vivia fechado dentro de si.
Ela queria mais, esperava mais da relação- E ela vivia-a, sozinha.
😦

Um cravo túnico desabrochou de si. Veio o vento e levou-o.
Com ele, levou também a relação.
Dois barcos que são um e um, quando uma vez quiseram quase ser dois.

A flor do algodão

09/03/2009

Algo1[1]E porque nos despedimos, porque dissémos que não.
A carta entristeceu-o, não acreditou nela. [Nela quem? Na carta?]

Já esgotámos as palavras. Já esgotámos as palavras por que esperámos anos a fio. Já não queremos palavras usadas. Usadas…pobres das palavras!
Palavras rendilhadas em gotas de cera. Tecidas em folhas de madeira. Rendilhados de madeira. Gotas de folhas.
E não. Já não seguimos ninguém. Já vamos pelo nosso próprio pé, desenhando os calos na areia fina. Pés finos, seguidores de nada.

Nova viagem, nova paragem. Novo desengano, nova miragem. A flor do algodão rebenta, pontapeias o campo, atiras-te e choras para cima dele.
Voltei. [do campo? do algodão? do campo de algodão?]

Deixa-me em paz.
E agora que tudo desapareceu, deixa-me ler a carta em paz.

Carlos Eduardo

08/31/2009

Brindámos com alento ao nosso futuro e à nossa vida. À nossa relação.
No copo de cada um balouçava uma onda de espuma enquanto a bebida descia pela garganta, agarrando-se ao palato como velcro.
Observava-nos uma mulher, com ar distante, sensível, infeliz. Aproximou-se e perguntou se desejávamos mais alguma coisa (mais velcro, provavelmente, mas desta vez, para se despregar do nosso bolso) ao que nós respondemos que queríamos a conta, queríamos ir embora.
E o jogo continuava. Ambos sabíamos que não era legítimo tudo aquilo. Mas também tíanhamos a cabeça aberta para tudo.
Caminhámos durante horas infinitas sem dizer uma palavra. E tínhamos tanto para dizer um ao outro…
Virei-me e disse-lhe Adeus Eduardo. Respondeu-me Adeus Carlos e ficámos naquilo. Continuámos a caminhar enquanto amanhecia.

(O Eduardo é incrivelmente malicioso e mesquinho e superficial e, e… boa pessoa. O Carlos é sensível. É um homem, o Carlos)

(E estava feito um triângulo amoroso. Mas não havia réstia de ciúme, nesse triângulo. Amavam-se os três, muituamente, sem a mínima vontade de o deixar de fazer)

Sabes, Carlos, é tudo muito complicado. Tenho tanta pena de vos deixar. Eu amo-vos!
Sabes, Eduardo, não vai ser como antes. Vamos afastar-nos para sempre. E cada um seguirá em frente.

E cada um seguiu a sua vida. O Carlos, o Eduardo…e o Carlos Eduardo, que sou eu. E que acabei de descobrir que as pessoas que mais amo desaparecearm. Aquele amor carnal e sentimental.
Aquele amor verdadeiro.


A romã

08/04/2009

Sussuras-me ao ouvido que me amas. Encosto-me a ti e deixo que as nossas testas se encontrem e se fundam num amor incompreendido. Sei que o meu coração é todo teu. Embelezamo-nos um ao outro com palavras modestas e falsas sobre cada um de nós e sobre nós mesmos. Vivemos um amor platónico e intemporal.

Vestes-te à pressa e bates com a porta. Ainda fico deitada, nua (de sentimentos? de valores?) à espera que a sensação de vida normal regresse. Mas já não sei voltar para casa, para aquela imundice, para aquele nojo de homem. Deixo-me ficar. Esvaio-me em riso, um riso de prazer, maléfico, um riso de bruxa.
Nua, rio-me.
Começo a mexer-me na cama, ponho-me de pé e rio-me muito, muito alto. Salto e as minhas mamas também. Começo a gritar, grito de revolta, de desespero, desespero por ser mulher e por não poder escolher quem quero, por ter de me deixar estar.

Batem à porta.
É ele. Voltamo-nos a beijar e ele acha-me louca. Encosto o indicador à minha cabeça, começo a rir-me desmesuradamente e com um “puum”, mato-me. Deixo que o sangue jorre. Ele volta a encostar a cabeça à minha e sussura para o meu crânio aberto:
“Deixa-me unir a ti. Vamos ficar juntos como os bagos de uma romã.”
Ele encosta o seu indicador à sua cabeça.

Além de renovar o apelo à «cautela» para as portuguesas que decidam casar com muçulmanos. José Saraiva Martins considera que a homossexualidade «não é normal». O cardeal D. José Saraiva Martins afirmou, na Figueira da Foz, que o casamento entre homossexuais não providencia uma educação normal a crianças a quem falta um pai e uma mãe. A conclusão de um relatório publicado, em Fevereiro de 2002, pela “American Academy of Pediatrics” prova o contrário. «Quando se juntam dois homossexuais, eles ou elas, se há crianças, evidentemente, aquela união, aquele casamento, não pode providenciar a formação das crianças», argumentou. Porque uma criança para ser formada normalmente precisa de um pai e de uma mãe. E não de dois pais ou de duas mães», acrescentou D. José Saraiva Martins, durante a tertúlia «125 minutos com Fátima Campos Ferreira», no Casino local. De acordo com uma sondagem efectuada nos EUA nos anos 90, era quase tão frequente encontrar mulheres lésbicas e mulheres heterossexuais que fossem mães (62% e 72% respectivamente). Somente 27% dos gays inquiridos eram pais de crianças contra 60% de homens heterossexuais. Para além disso, estimou-se que o número de crianças – com um pai gay ou uma mãe lésbica – esteja entre 1 e 9 milhões. Mas afinal serão os gays e as lésbicas pais/mães adoptivos capazes? A conclusão de um relatório publicado, em Fevereiro de 2002, pela “American Academy of Pediatrics”, prende-se com aspectos que vão das “Atitudes parentais, comportamento, personalidade e ajustamentos dos pais” ao “Desenvolvimento emocional e social da criança”, passando pela “Identidade de género e orientação sexual da mesma”. Este estudo avança que há mais semelhanças que diferenças entre a forma como os homossexuais e os heterossexuais exercem os papéis parentais. Outros estudos americanos concluem que as crianças com pais homossexuais parecem suportar bastante bem com o desafio que constitui perceber e explicar as suas famílias aos seus colegas e professores. Para além disso, o divórcio era há anos atrás um motivo efectivo de pressão sobre crianças em ambiente escolar. Com o aumento de casais divorciados, registou-se uma aceitação definitiva de crianças vivendo nessas circunstâncias D. José Saraiva Martins, Prefeito Emérito da Congregação para as Causas dos Santos e um dos dois cardeais portugueses com assento no Vaticano, onde reside há mais de 50 anos, argumentou que o pai e a mãe «são diferentes, têm diferentes qualidades, completam-se mutuamente de uma maneira maravilhosa». «A educação daquelas crianças não pode ser uma formação normal se não forem formadas por um pai e uma mãe. Não por dois pais ou duas mães», reafirmou o cardeal, arrancando aplausos da assistência. Porem, as famílias monoparentais são cada vez mais frequentes. As avós que educam netos na ausência de pai/mãe (porque ausentes ou emigrantes) sempre foram usuais. Estes exemplos deitam por terra o argumento da necessidade da figura paterna/materna. (Por vezes argumenta-se que apesar da ausência do(s) progenitor(es) a figura paterna/materna está presente…) Momentos antes, o cardeal tinha considerado que a homossexualidade «não é normal». «Não é normal no sentido de que a Bíblia diz que quando Deus criou o ser humano, criou o homem e a mulher. É o texto literal da Bíblia, portanto esse é o princípio sempre professado pela igreja», defendeu. Certamente se esqueceu que a Bíblia não é um documento universalmente aceite além de não ter qualquer soberania nem rigor científico muito menos empírico e portanto não é possível aceitar-se politicamente citações bíblicas.

 

Fonte: Blocomotiva

 

Às vezes, não há paciência.

Nós

06/29/2009

“Só estou bem aonde eu não estou.”

“Não, não desliguei o telemóvel, ainda não é hoje. Só quis dizer que te adoro porque consegues parar com as minhas ideias, pelo menos, enquanto falo contigo.”
Eu também te adoro.

“Desculpa! Ninca te quero ver sofrer por minha causa! Adoro-te com todas as minhas forças, não quero perder a tua amizade e não quero que chores mais por causa de mim. Se eu algum dia fizer alguma coisa, lembra-te que estas muito importante para mim e nunca te ia esquecer. Sê feliz e não te prendas a nada nem a ninguém! Gosto tanto de ti, que só de te imaginar a chorar, perco a vontade e as forças de tentar outra vez. Desculpa se te magoei.”
Desculpo. Mas fazes-me chorar na mesma. Principalmente, ultimamente. Não é chorar de lágrimas, é chorar cá por dentro. Só me sinto isolada do mundo. E sofro com isso. De quem é a culpa? Provavelmente, minha. Se não fosse tão estúpida.

“…Eu não sei o que te dizer… Não sei mesmo! Fiquei sem palavras e a pensar no que acabei de ler [referência a um texto publicado no blogue antigo]. Sim, tu és o meu anjo e nunca vou deixar que despareças do meu coração, nunca! Obrigada, vou guardar aquele texto sempre comigo. Sempre!”
Irás? Provavelmente, sim. Se sou o teu anjo? Tenho muitas dúvidas. Acho que falhei nessa parte.

“Só tenho a agradecer que te tenhas cruzado no meu caminho e teres-te dado a conhecer. (…) De facto, só a minha família e os meus amigos verdadeiros importam e tu, sem dúvida, fazes parte deles!”
Foi a primeira vez que me disseste que fazia parte dos teus melhores amigos. Farei?

“Era, mas hoje ainda sou mais [feliz]! Porque conheço alguém diferente de mim, mas que me adora como eu também a adoro. Que me faz ver o que fingia que não via. Que me ajuda quando mais ninguém o faz. Que me faz rir e me dá força quando preciso. Hoje sou mais feliz!”
Não, hoje não és feliz por minha causa. Porque não estou contigo. Aliás, hoje sou a única coisa que te importuna, com as minhas mensagens obcessivas e controladoras. Acho que me vou deixar disso.

“Tudo tem uma razão de ser, mas nem tudo consegue ser explicado. És um anjo, és única, exprimes-te como ninguém e a tua maneira de ser é insubstituível. Ninguém te consegue copiar mas tu ás a mesma com toda a gente, mesmo com quem não te merece. Há pessoas que não te conseguem compreender mas há outras que percebem e têm inveja, por isso, não te inferiorizes nem te compares a ninguém. Tu és um mundo no universo!”
Sou tão diferente, não é…? Talvez me tenha substituído a mim própria por outra pessoa que desconhecias, talvez… As pessoas surpreendem-nos. Será que te surpreendi pela negativa?

“Queria dizer-te o que sinto mas não consigo, não por mensagens, não por palavras. É complicado, por vezes, dizer-te o que sinto, por isso isolo-me por não saber o que te dizer. És uma pessoa vulgar num mundo de pessoas vulgares. Pelo menos, para os milhões de pessoas que habitam o mundo, sim, mas para mim, não. Todas as pessoas são únicas para alguém por algum motivo. E tu és única para mim porque não encontro ninguém como tu! És sincera e de confiança, és simpática e inteligente e escreves poesia dedicada a mim. Porque nos conhecemos? Não sei responder. Vamos deixar de nos falarum dia? Provavelmente. Mas, por agora, vou viver o presente contigo, por ti, pela nossa amizade. Tenho alguns objectivos, um deles passou a ser com que nunca desistas de viver e que a nossa amizade dure o máximo, se isso implicar para sempre, melhor! Sei que não sou tão importante como dizes mas acho que tenho algum significado para ti, para a tua vida, já te fiz mudar, para melhor, suponho, e espero que nunca te esqueças de mim e da amizade que havia entre nós e do quanto gostava de ti. És muito importante no meu presente.”
Sabes, também és muito importante para mim. Principalmente agora, que sinto tanto a tua falta e não há nada a fazer.

Não sei mais que te dizer.
Adoro-te, madamme butterfly.